O banheiro e as feministas I
Eu começarei a acreditar no discurso das feministas quando elas começarem a levantar a tampa da bacia, após o uso.
O banheiro e as feministas I
Eu começarei a acreditar no discurso das feministas quando elas começarem a levantar a tampa da bacia, após o uso.
Nerize Paiva
Intelectual de província recifense é aquele que passou a adolescência embaixo das saias de Nerize Paiva, e quando adulto fica repetindo que nunca houve mulher igual à Gilda.
Workalkoholic
O Presidente Lula, nos seus poucos momentos de domínio do inglês, poderia dizer: “O que me falta para ser um workalkoholic é o work.”
Devolvi a Medida do Bonfim
Devolvi Devolvi Devolvi Nada quis guardar como lembrança
http://br.youtube.com/watch?v=g5qq7wSf2I0
| Trocando em miúdos Eu vou lhe dar a medida do Bonfim |
Devolvi é de 1960, letra e música de Adelino Moreira. Foi o samba canção carro chefe do LP de estréia de Núbia Lafayette, lançada pelo próprio Adelino como um Nelson Gonçalves de saias. Trocando em miúdos é de 1978, música de Francis Hime e letra de Chico Buarque. As duas canções foram exaustivamente tocadas nos rádios e louvadas em suas épocas.
Núbia e Chico são referencias hoje na música brasileira. Os dois possuem uma obra realizada, ela como intérprete, ele como compositor e intérprete. Isto já mostra uma diferença de época. No tempo de Núbia a regra era o compositor compor e o cantor cantar, na de Chico as duas figuras fundiam-se em uma só.
Entre Devolvi e Trocando em miúdos transcorreram dezoito anos. Tempo suficiente para se assistir a Bossa Nova surgir, ver o Brasil campeão do mundo em futebol e a caminho do bi e do tri, amargar o início da ditadura em 64 e a sua institucionalização em dezembro de 68 e, paradoxalmente, curtir tudo o que culturalmente vinha do maio de 68. Havia também o milagre econômico. Mas as duas letras com as suas respectivas músicas parecem falar mais das diferenças entre as duas épocas. Elas falam de dois brasis em duas épocas. Ou apenas de duas épocas?
A mãe e a cadela
R. tem dezessete anos. É de classe média, a mãe é artista plástica e o pai é comerciante. Os pais são separados, desde quando ele tinha doze anos. Ele mora com a mãe em um pequeno sítio na cidade de Paulista, em Pernambuco. No sítio, R. e a mãe cuidam de um canil e a venda dos filhotes de raça acrescenta uma renda a mais na família. R. é branco, podia passar por louro, e é alto, bem mais alto que a média de seus colegas do sítio e da própria cidade de Paulista.
R. mal havia completado catorze anos quando ocorreu o incidente. Cara de menino que ainda hoje tem, aos catorze, a cara batia de fato com a idade. Menos até, ele parecia ser um menino de no máximo doze anos de idade. A altura de R., menino, garoto ou adolescente, sempre foi acima da média. O incidente: R. engravidou a namorada.
Em qualquer família isso é um problema. Não seria diferente com a família de R. De modo que ele pensou várias vezes, e relutou várias vezes antes de comunicar aos pais. E ainda mais com os pais separados, uma complicação a mais. Os pais compreenderam, quando afinal reuniram-se para ouvir o “grande problema” que atormentava o filho. Para surpresa de R., acostumado que já estava com as vezes que eles nem se compreendiam, nem compreendiam os filhos. Os filhos sim, R. tinha uma irmão mais velho. A compreensão significou: a surpresa, a forte reprimenda, a cobrança de que ele conhecia – “eu mesmo falei várias vezes da importância do sexo seguro”, dizia a mãe - os instrumentos para evitar gravidez precoce ou indesejada e para evitar as doenças sexualmente transmissíveis, etc. Os pais então souberam mais ainda: a namorada não era namorada, mas uma garota que o filho encontrara em um pagode na praça principal do Jardim Paulista Baixo; que a garota não era propriamente uma garota, mas já uma mulher de seus vinte e nove anos de idade; que era de família humilde. Compreender não significa necessariamente aceitar. De modo que veio a pergunta inevitável: o que fazer, agora? Mais reprimendas para R., mas agora já com atenuações e indicações de aceitação: “aceitar o que Deus quis”, “podia ser pior”, “que pelo menos a criança nasça com saúde”, “que você aprenda agora”, etc.
R. chegou em casa chorando. Na sala sentou-se e, aos prantos, mal podia contar à mãe o que afinal havia ocorrido. “Ela não quer o menino. Ela disse que vai abortar. Que não ia estragar a vida dela por conta do menino.” “Mas, mãe”, continuou R., “eu quero o menino, eu não quero que ele morra, eu posso cuidar dele, não é justo que o matem, isso devia ser proibido. Ajude-me, mãe.” A mãe, claro, não iria, pelo menos nesse primeiro momento de desespero adolescente, deixar de atender. Mas não foi difícil para a mãe, e para o pai depois, condenar o aborto e aceitar a gravidez. Pois, aborto, por diversas razões, mas cada uma delas para cada um dos pais, sempre foi algo proibitivo. Os pais, o pai já integrado nas novas, decidiram lutar com o filho e a favor do futuro neto. O que fazer agora?
As notícias não eram animadoras. Mesmo depois de vários dias, de várias idas e vindas, das garantias de que os pais – dele – sustentariam o menino, a mãe continuava irresoluta: “não quero o menino”. Assim, o filho continuava triste. Os pais, que eram contra o aborto sim, mas não tanto a fim de entrar contra a mãe, contra a namorada do filho. O problema era a insistência do filho em preservar o rebento que ele ainda não conhecia, em insistir que não aceitava que, em um toque talvez dramático, “matassem o menino.” Os pais entenderam ou aceitaram. De todo modo a tristeza daquele garoto, antes eternamente sorriso, os levou a mãe. Não foi fácil a conversa, pois, como se falou depois: “aí é que ela cresceu”. Mas, “crescer” significa passar a exigir, como se usava a expressão. Foi necessária a brutalidade legal: “ou você tem o menino ou entramos com uma ação penal contra você.”, disseram os pais. Claro, ele era um garoto, ela já era uma mulher. Fácil de ganhar, fácil de levá-la a prisão. O argumento ad baculum funcionou.
Uma pequena festa particular, no sítio da mãe, com a presença do pai. O que se comemorava? O neto? Seria porque seria o primeiro neto dos dois pais? Não, eles ainda não sabiam o que era ser avô, ou avó, apenas comemoravam a alegria do filho. O filho voltara a sorrir. Foi o pai que perguntou: “Meu filho, impressionante seu espírito de paternidade. Como você o adquiriu?” A mãe, o irmão, mais um casal em visita, ficaram calados com a resposta.
“Pai, mãe, eu não tenho espírito de paternidade, eu não sei o que é ser pai. Eu tenho espírito de maternidade. Foram quatro anos assistindo e ajudando os partos das nossas cadelas. Eu conheço os sofrimentos e as alegrias das cadelas quando elas têm seus filhotes. Quando elas perdem um da ninhada, eu perco com elas. Por que ia ser diferente com meu filho?”
De Anderson
Aqui se faz, aqui se paga.
De Gerson
Entrou na chuva é pra se molhar.
Quem tem medo de escuro não sai de noite.
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