A fala e a escrita
Ano Novo, Vida Nova! E com regras novas, pelo menos as da gramática. Um acordo ortográfico entre os países falantes da língua portuguesa, que são oito países com 210 milhões de falantes e que fazem da língua portuguesa a quinta língua mais falada do mundo, estabelece a unificação da escrita portuguesa a partir de agora no início de 2009.
Isso é bom ou ruim? As opiniões lidas no ar (na Internet) variam. Mas a maioria delas, tanto as favoráveis quanto aquelas contra a reforma, padecem de um mesmo erro: confundem linguagem falada com linguagem escrita. O exemplo maior é o da revista Veja, que talvez por um excesso de condescendência com o nosso povo, se pergunta em uma reportagem sobre as reformas se "as mudanças serão apenas gráficas ou vão alterar a pronúncia? " A resposta precisa ser óbvia, caso contrário estaríamos sob o jugo extrapolado da "novilíngua" do já danoso politicamente correto.
Essa é a minha segunda reforma. Tanto essa quanto a primeira, a de 71, não mudam a minha incapacidade de esgrimir as regras da boa gramática. Mas não defendo algo como um laissez faire gramático-lingüístico, a identidade (tem de ser gramatical) lingüística é essencial e exatamente pelas razões pragmáticas apontadas pelos defensores da reforma: a inserção dos países de língua portuguesa no mercado mundial.
Falaremos todos como até agora falamos, perdoando todos os que falam "menas" por não terem sido expostos a forma "padrão" de falar, e condenando os que, apesar das chances, continuam a falar "menas".
Mas o que mais gostei da reforma é ver de volta as exiladas "k", "y" e "w". Voltaram triunfantes sob proteção legislativa. E elas não são apenas exiladas, são minorias. Se demonstrarem, à moda de hoje, que sofreram danos profissionais irreversíveis, como sofreram Lula, Cony e Ziraldo, terão a bolsa ditadura para o resto da vida.
Escrito por Fernando Raul Neto às 22h05
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