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BANKSY

Banksy é o anônimo mais famoso que existe. Seu nome solicitado ao Google gera mais de um milhão de páginas. Bansky ficou anonimamente famoso com a sua streetart, com os seus graffiti inicialmente pintados em Bristol na Inglaterra, mas depois em várias outras cidades do mundo. Os locais por ele escolhido são os mais diversificados. Tanto pode ser um muro em um local abandonado, como uma parede de uma loja em uma rua bem movimentada de uma metrópole; pode ser Berlin, em um monumento russo, ou na Faixa de Gaza. Além de seus graffiti, museus famosos como o Louvre, Tate Modern, New Yorker Museum of Modern Art, Metropolitan Museum of Art, o Brooklyn Museum, entre outros foram palcos nos quais Banksy expôs, sem autorização, suas pinturas iconoclásticas. Banksy também escreveu livros, anonimamente, nos quais ele apresenta com comentários fotos de seus graffiti e de suas próprias pinturas: Banging your head against a brick wall, Existencilism, Cut it out e Wall and Piece, esse último um resumo dos outros três. Banksy deve estar anonimamente muito rico. Contam-se às dezenas as celebridades que tem comprado as suas obras. O quadro reproduzido abaixo teria sido comprado por Angelina Jolie por 226.000 dólares. Ele mostra quatro pessoas de uma família almoçando embaixo de um guarda sol em cima de uma esteira quadriculada sendo observada por 15 africanos famintos. O mercado de arte não ficou evidentemente imune ao fenômeno. No início do ano passado a famosa Sotheby de Londres vendeu um quadro de Banksy por 80.000 euros. Alguns graffiti de Banksy valem mais do que as próprias casas nas quais eles foram pintados. Sua técnica é a do estêncil que ele prepara cuidadosamente em casa e na rua basta o tempo para fixá-lo, ou fixá-los se vários, e utilizar o spray. Pouco se sabe sobre a vida de Banksy. Nasceu em Bristol em 1974 ou 1975. Seu verdadeiro nome pode ser Robert Banks. Não há fotos dele. Ele mantém um site na internet: http://www.banksy.co.uk/.

Banksy radicaliza a Popart de Andy Warhol ao trocar a iconoclastia naïf deste por uma crítica naïf à chamada sociedade de consumo; é uma arte anticapitalista. Seus graffiti e suas pinturas são intervenções que, de um modo geral, exibem algum tipo de contraste que convidam o público a entender, pela eventual graça ou mesmo quando pretensamente sério, a denúncia desejada pelo artista. O anonimato de Banksy, de saída natural por ser o graffito em locais públicos uma atividade ilegal na Inglaterra e em boa parte do mundo, talvez possa ser mais bem apreciado com a famosa frase de Warhol de 1968: In the future, everyone will be world-famous for 15 minutes. Preocupado com celebridades e famas, ele próprio célebre e famoso, a frase de Warhol expressa o seu entendimento de que a mídia poderia levar qualquer um à fama e ao sucesso. Já nos anos 70 ele próprio se vangloriava de que a sua previsão se realizava. Hoje com a Internet, com os Blogs, Orkut e Youtube a frase de Warhol se trivializa. Todos hoje parecem em busca de fama, em busca de seus quinze minutos; o preço a pagar é qualquer um, não importa se via bigbrothers ou assemelhados. Com Banksy o fenômeno é diferente, nem a mídia o tornou famoso, nem ele é famoso porque é anônimo, o que seria contraditório. Mas ele é anonimamente famoso e isto não é contraditório por conta de sua arte; é ela que o distingue da multidão de grafiteiros. É usual discutir o anonimato de Banksy sob uma paráfrase bem conhecida da frase de Warhol: In the future, everyone will be world-anonymous for 15 minutes. Banksy radicalizaria assim o extremo oposto da radical fugacidade da fama warholiana. Mas os extremos coincidem, a fama e o anonimato generalizados se confundem. O anonimato de Banksy não deixa de ser sua fama, mas a sua arte não vai se submeter a nenhum desses extremos. Não ficará anônima, nem será fugaz.
Para todos nós anônimos talvez valha a frase de Warhol juntamente com a sua paráfrase que ele próprio cunhou, entediado que estava com a fama duradoura da frase original: In the future, everyone will be famous to fifteen people. Famosos por quinze minutos para quinze pessoas é o que valeria para nós. Em nossas vidas há picos de felicidade decorrentes de nossas pequenas façanhas, de nossos pequenos heroísmos e de nossas habilidades que nos tornam por quinze minutos e diante de quinze pessoas exemplos bons de pessoas humanas. E são vários desses pequenos e gloriosos momentos que se instauram indelevelmente em nossas vidas e as fazem felizes. Voltando de uma viagem de ônibus, meus dois filhos, na época com 9 e 12 anos de idade, chegaram a mim, que estava sentado quatro filas na frente deles, pedindo para fazer xixi. Argumentei que não havia banheiro no ônibus e que não iria demorar muito para chegar. Vieram a mim mais uma vez, repeti o argumento e pedi para eles agüentarem mais um pouco. Na terceira vez tinham lágrimas nos olhos. Fui ao motorista, expliquei e ele parou o ônibus para os meninos fazerem xixi. Na volta, sorrindo, falaram alto de modo que todos ouviram: obrigado painho! E cada um me deu um beijo. Quinze pessoas foram testemunhas de que durante quinze minutos eu fui o pai mais feliz do mundo.
Escrito por Fernando Raul Neto às 18h43
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