" „Die ganzen Zahlen hat der liebe Gott geschaffen, alles andere ist Menschenwerk. (Deus criou os números, o resto é criação do homem.)"
Autor: Leopold Kronecker (1823-1891)
„Wie das Wort "schön" der Aesthetik und "gut" der Ethik, so weist "wahr" der Logik die Richtung. Zwar haben alle Wissenschaften Wahrheit als Ziel; aber die Logik beschäftigt sich noch in ganz anderer Weise mit ihr. Sie verhält sich zur Wahrheit etwa so, wie die Physik zur Schwere oder zur Wärme. Wahrheiten zu entdecken, ist Aufgabe aller Wissenschaften; der Logik kommt es zu, die Gesetze des Wahrseins zu erkennen.“
Assim como a palavra 'belo' à estética e 'bem' à ética, 'verdade' indica à lógica a direção. É certo que todas as ciências têm a verdade como fim; mas a lógica ocupa-se dela de um modo muito diverso. Ela relaciona-se com a verdade um pouco como a física com o peso ou com o calor. Descobrir verdades é a tarefa de todas as ciências; à lógica cabe discernir as leis da verdade. (Tradução Claudio Costa)
Gottlob Frege (1848-1925)
" „Die ganzen Zahlen hat der liebe Gott geschaffen, alles andere ist Menschenwerk. (Deus criou os números, o resto é criação do homem.)"
Autor: Leopold Kronecker (1823-1891)
Viajar pela primeira vez em um automóvel com GPS é uma experiência inesquecível! Um automóvel - nunca pensei! - com sistema de navegação: uma bússola rediviva com tudo que o gênio dos Bill Gates da vida pode fazer com os bytes. Os alemães aqui, já íntimos, chamam de Navy. A primeira lembrança que me chegou à mente foi a dos filmes de James Bond. Os primeiros, os melhores, ainda com Sean Connery. A imagem trazida pela lembrança era traduzida, no esforço maior de compreendê-la, em um misto de perigo e segurança. Uma sensação que me fazia sentir como o próprio James Bond decerto se sentia ao sair seguro pelo mundo a fora em suas perigosas e desconhecidas incursões para salvar o mundo. Não exatamente igual, mas com a sensação de conforto que permite a um pobre antípoda do Bond enfrentar com segurança os pobres perigos do não tão desconhecido cotidiano. O conforto de uma segurança que permite, sem contra-indicações, ousar, se não as aventuras bondianas, pelo menos – coragem suprema! – a de fugir da rotina da vida.
“O Senhor está localizado na Rua Westring em Herford. Qual o destino?” “Dortmund”, digitei. “Qual o local?” “Aeroporto”, digitei. Éramos dois, meu amigo na direção e eu de acompanhante. Ele ia buscar a mãe no aeroporto de Dortmund. A viagem então começa. Menos de três minutos depois, escuto. “Daqui a 200 metros o Senhor vai dobrar à direita.” A voz era feminina, mas fria, anônima, anódina. Não tinha o calor e o encanto da voz dos aeroportos de antigamente que se sabia ser de Iris Lettieri. Assim mesmo coloquei seu nome de Iris. Já em uma das estradas federais da Alemanha, as famosas Autobahnen, a viagem prosseguia enfadonha a 150 km/h, velocidade que dava a sensação de parado diante dos Porsches e Mercedes e Audis que voavam pela esquerda. A monotonia da viagem era quebrada apenas pela voz de Iris, que ora me dava a distancia ainda a ser percorrida, ora me alertava para um engarrafamento e coisas do gênero. Viajar em uma Autobahn alemã é viajar em total segurança e pagar o seu preço que é a monotonia provocada pela absoluta falta de histórias para contar: não há curvas a merecer tal nome, não há animais a atravessar a pista, não há cidades pelas quais ela passe e existem faixas para todas as velocidades. Absorto que estava na minha segurança e nessas reflexões vi, de repente, quase sonolento, o pânico se instalar. Cadê a Iris? Já havia um tempo que ela não falava. Comecei a me preocupar. Teria ela me esquecido? Olhei para o GPS meio constrangido, pois ver Iris tão pouco humanizada tirava o encanto da personificação que lhe havia emprestado. Comecei a pensar: não seria mais sensato começar a ler as placas de orientação? Mas, no meio das minhas indecisões a Iris volta, e volta em grande estilo. “Dobre à direita daqui a 500 metros na Autobahn A1. Sorri internamente! Confortado, comecei a me sentir cúmplice da Íris. Sossegado eu, a viagem então prosseguia sossegada, mas, sempre, vez em quando, com as observações claras e precisas da Íris. Ela parecia ler os meus pensamentos. Ela entendeu até a minha parada para o xixi amigo, pois, na volta da pausa, carro religado, ela lembrou, cuidadosa, o meu destino. E eu, que nunca cuidei dele, me senti mais seguro ainda. Já estávamos na pista novamente, eu já esquecido da existência da Iris, quando ela volta. “Daqui a 700 metros o Senhor vai encontrar duas saídas à direita; entre na primeira delas.” Um pequeno desencontro, uma pequena distração e não obedecemos a Íris. Havia entrado na segunda saída. O silencio instalou-se no carro. Eu e meu amigo olhamos um para o outro. Continuamos assim mesmo na pista errada? perguntamo-nos. Nenhum sinal da Íris. Teria ela ficado com raiva? Saberia ela que não havia sido de propósito? Ela retornou com a tranqüilidade do sábios. “Caso possível, tente fazer o retorno na própria pista em que o Senhor se encontra.” Obedecemos e assim corrigimos nosso erro. Chegamos à hora desejada no aeroporto de Dortmund. Iris não falhou. Na volta, quase que a falta de combustível tirava a tranqüilidade e a segurança da viagem. Falei para a Iris, pois nessa altura nem achava mais que estava digitando, “Posto”. Em menos de dez minutos eu estava em um posto de gasolina abastecendo o carro. Em casa, ao descer do carro, ainda ouvi a voz de Iris: “O Senhor está na Rua Westring em Herford, a sua viagem acabou.”
Na volta comecei a pensar como teria sido bom um GPS na minha vida. Um que não tivesse me deixado entrar nas ruas escuras e nos becos perigosos que tantas vezes entrei. Um que me alertasse, sempre que necessário: “esta calçada é alta, não suba agora, espere crescer.” Um que, ao contrário, nos meus medos e indecisões, como um pai cuidadoso que encoraja o filho a pular na piscina, me dissesse: “pode entrar, eu estou aqui.” Um que me dissesse: “Retorne agora, não continue.” Um que me ajudasse a enfrentar as estradas longas e quando me visse cansado querendo desistir me dissesse. “Calma, paciência, está quase chegando, continue que você pode, acredite em você.” Um que me permitisse, despreocupado e seguro que estava, olhar os lírios dos campos. Na realidade, e pensando melhor, não tenho que me lamentar da falta de GPS em minha vida. Sempre tive um. Mais seguro, mais confiável, mais amigo. Eu é que não soube ler bem as Suas palavras. Eu é que não entendi bem que Ele escrevia certo por linhas tortas.
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